Agora fiquei com vergonha. Por quê? Por ter te dito coisas tão minhas. É claro que são tuas, é o que tu pensas, não tem nada demais. Não, não são minhas como coisas que eu penso, mas sim como coisas que eu sinto e isso é ser mais meu do que ser só meu, entendes? Claro que não entende... digamos que opiniões todo mundo tem, mesmo sem ter vivido, sem ter sentido aquilo. Tu tens opiniões sobre eutanásia ou sobre a fome na África, mas tu nunca passaste por isso, entende? Opinião mesmo sendo forte, não quer dizer que seja real, que seja exata, tu não sabe se tu faria exatamente o que me dizes, porque nunca viveste essa situação. Mas mesmo assim a tua opinião é uma coisa tua e ninguém tem nada a ver com isso. Já o que sentiste é outra coisa. Quando a coisa é real, é mais forte, deixa de ser só uma opinião e passa a ser o que tu realmente és. Isso, essa situação vivida, quando contada é muito mais tua do que uma opinião. Vem mais de dentro, entende? Deu pra entender ou só piorei a situação? Sei lá, eu só queria que tu entendesses que ao te contar todo esse eu de dentro, eu destruí barreiras que sempre tiveram aqui. Que tu não pode tratar isso como uma conversa banal, porque eu me mostrei completamente nua pra ti. Não, eu não to bêbada, só queria que tu entrasses nessa sintonia de saber o que eu penso sem eu precisar falar. É, essa mesma sintonia que a gente tinha antes e se perdeu no teu vazio de ignorar sentimentos alheios.

Kayla Lima

The Pale Blue Dot

The Earth is a very small stage in a vast cosmic arena.
On it everyone you love, everyone you know, everyone you ever heard of,
Every human being who ever was, lived out their lives.
Thousands of confident religions, ideologies, and economic doctrines,
Every teacher of morals, every corrupt politician, every hero and coward,
Every creator and destroyer of civilization,
Every saint and sinner in the history of our species,
Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors so that,
In glory and triumph, they could become the momentary masters of a fraction of a dot.
Our posturings, our imagined self-importance,
The delusion that we have some privileged position in the Universe,
Are challenged by this point of pale light,
And underscores our responsibility and to preserve and cherish the pale blue dot.

Viajar


Eu sempre soube que viagens são muito bacanas. Ainda mais tirar uma semana no meio de maio, quando você não aguenta mais nada e precisa de um tempo pra relaxar. Aí junta-se tudo isso com um desejo de anos de conhecer a europa, uma irmã trabalhando em Madrid e voilà.
Eu nunca fui muito sortudo, mas dessa vez parece que finalmente o mundo conspirou a meu favor. Uma hora tinha que acontecer, né? E essa sorte me rendeu nove dias no velho continente, uma viagem corrida, cansativa (não que eu esteja reclamando, muito pelo contrário, mas andar uma média de quase 10 horas por dia deixa a gente realmente acabado) e totalmente no susto, mas que valeu muito a pena.
Conhecer quatro cidades em nove dias é impossível, fato. Morei em Campinas por treze anos e não conheço metade da cidade ainda. Mas turista é sempre bobo, sai andando sem direção, só sabendo a hora que tem que voltar pro aeroporto e pensando se vai conseguir aproveitar. Conhecer quatro cidades, cada uma em um país diferente é ainda mais difícil. Mas é uma sensação indescritível olhar pro lado e ver uma construção de mais de meio milênio, cheia de detalhes, de história, com aquela cara de bobo, perguntar para um nativo 'O que é isso?' e obter como resposta um 'Ah, isso é um prédio velho.' é ao mesmo tempo estranho, assombroso e divertido. Mesmo porque se formos perguntar de todos os prédios com toda essa carga histórica e cultural que avistarmos, ficaremos o dia todo perguntando.
Contarei mais ou menos a viagem em quatro posts separados depois. E de forma bem resumida. Mesmo porque certas coisas a gente simplesmente não resume. A gente vive.

O Rugby

As vezes quando as pessoas assistem um jogo de rugby pensam: 'Nossa, que coisa violenta', 'Só tem gente mal educada que faz isso', 'Bando de assassinos sem noção'...
A verdade é outra. Jogadores de rugby não tem intenção de machucar ninguém. Jogadores de rugby não discutem com o árbitro, são discutem entre si, não reclamam do erro do companheiro. Jogadores de rugby são unidos. E muito mais do que parece.
Quando eu comecei a jogar, entrei pela diversão, pela chance de praticar algum esporte com amigos. Agora vejo que é mais que isso. Muito mais.
Essa semana começou a esfriar. Terça feira à noite estava 9ºC. E nós estávamos treinando. Com dores, cansados, com provas pra estudar. Mas nós estávamos treinando. E quando acabou o treino, na hora do grito de guerra, todo mundo estava com um sorriso no rosto, sabendo que tinhamos feito o nosso melhor, sabendo que tinhamos companheiros para treinos em momentos como aquele. E o laço de amizade se torna cada vez mais forte.
Rugby é feito de dor, mas também é feito de muita alegria, que com certeza compensa todo o resto...

E mais uma vez...

começo um novo blog. Acho que eu vou enjoando dos antigos, fico com preguiça de dar uma mudada no visual e crio um novo.
Acho que escrever as vezes me enche o saco. Na verdade, escrever não. Ler o que eu escrevo me enche o saco. Sabe quando você pensa que todo mundo escreve melhor que você? Pois é. Mas vamos ver se dessa vez eu escrevo mais e leio menos...
abcs